Uma conversa entre duas escritoras durante a pandemia, um convite feito quase como uma brincadeira e uma capa que aguardava a história certa. Foi assim que começou o universo que, anos depois, ultrapassaria as páginas dos livros para dar origem à trilogia cinematográfica Dark Wings, formada por Trevor, Scorn e Thomy & Milly.

Antes de chegar às telas, a saga nasceu de uma experiência de escrita colaborativa entre Jéssica Macedo e Mari Sales. Separadas pela distância, as duas autoras construíram juntas um universo sobrenatural no qual personagens, cenas e acontecimentos precisavam permanecer conectados, mesmo quando cada uma escrevia a própria história.
O projeto começou em um período de incertezas para o mercado editorial, mas encontrou na colaboração uma maneira de transformar o isolamento em criação. O que poderia ter permanecido apenas como uma parceria literária cresceu, conquistou novas possibilidades e se tornou a base de uma produção audiovisual independente.
Um convite durante a pandemia
Em 2020, enquanto o mundo enfrentava as limitações impostas pela pandemia, Jéssica Macedo e Mari Sales começaram a conversar pela internet sobre livros, lançamentos e as dificuldades que as autoras independentes estavam enfrentando naquele momento.
As duas ainda não haviam se encontrado pessoalmente. Jéssica estava em Belo Horizonte, Minas Gerais, enquanto Mari vivia em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Apesar da distância, elas perceberam rapidamente que compartilhavam não apenas o amor pelas histórias, mas também um ritmo semelhante de produção e uma visão próxima sobre o mercado editorial.
Foi durante uma dessas conversas que Mari fez o convite:
— Vamos escrever um livro juntas?
Jéssica aceitou. Naquele momento, ela já tinha em sua lista de projetos a capa de uma história chamada Trevor. O personagem ainda aguardava o desenvolvimento de seu universo, mas o convite de Mari ofereceu o impulso necessário para que aquela ideia começasse a ganhar forma.
— Eu estava com a capa de Trevor entre os projetos que queria desenvolver. Mostrei para a Mari e começamos a construir a história — relembra Jéssica.
A parceria e o processo de escrita foram registrados, em 2021, em uma reportagem sobre literatura colaborativa publicada pelo Portal Comunique-se.

A criação de um universo compartilhado
Desde o início, Jéssica e Mari não queriam apenas escrever duas histórias isoladas. A proposta era criar um universo sobrenatural compartilhado, habitado por vampiros, relações proibidas, disputas de poder, segredos e personagens cujos destinos se cruzariam.
As autoras começaram definindo as regras daquele mundo. Antes que cada livro fosse escrito, elas discutiram os acontecimentos principais, organizaram os roteiros e decidiram quais personagens apareceriam nas duas narrativas.
Esse planejamento era indispensável. Uma conversa ocorrida em um livro precisava manter o mesmo sentido quando fosse apresentada pela perspectiva de outro personagem. As cenas compartilhadas deveriam preservar falas, reações e consequências, mesmo quando cada autora explorava um ponto de vista diferente.
As trocas eram constantes. Ideias, capítulos, cenas e decisões sobre os personagens circulavam diariamente entre as duas. A agilidade de Jéssica encontrou correspondência no ritmo de Mari, permitindo que as obras fossem desenvolvidas dentro do mesmo período e sem perder a conexão entre elas.
Assim nasceram os dois primeiros livros: Trevor — O Bebê Proibido, escrito por Jéssica Macedo, e Scorn e a Inevitável Conexão, escrito por Mari Sales.
Embora cada obra tivesse seu próprio protagonista e conflito, as histórias pertenciam ao mesmo universo. Trevor e Scorn não estavam ligados apenas pela presença de elementos sobrenaturais. Suas escolhas, relações e segredos faziam parte de uma narrativa maior, que ainda precisaria de um terceiro livro para ser concluída.
Thomy & Milly completa a trilogia
Depois da experiência com Trevor e Scorn, Jéssica e Mari decidiram aprofundar a parceria. Se os dois primeiros livros haviam sido planejados conjuntamente, mas escritos individualmente, o encerramento da trilogia seria desenvolvido integralmente pelas duas.
Nasceu então Thomy & Milly — E o Amor Proibido.
A obra reuniu as experiências adquiridas durante a construção dos títulos anteriores e colocou a escrita colaborativa no centro do processo. Em vez de apenas conectar acontecimentos paralelos, as autoras passaram a dividir a responsabilidade sobre a mesma narrativa.
O terceiro livro completou o arco iniciado nas duas primeiras histórias e consolidou o universo que posteriormente receberia o nome Dark Wings.
A sintonia entre as autoras foi essencial para que o texto mantivesse unidade. Jéssica e Mari possuíam estilos próximos, especialmente no ritmo e na intensidade das narrativas, mas cada uma também carregava características próprias. Essa combinação permitiu que Thomy & Milly preservassem a identidade da série enquanto ampliavam emocionalmente seus conflitos.
A trilogia literária estava completa. Entretanto, aqueles personagens ainda não haviam encerrado sua jornada.
Quando as páginas começaram a pedir imagens
A ligação de Jéssica Macedo com o audiovisual existia antes de Dark Wings chegar ao cinema. Formada em Cinema de Animação e Artes Digitais pela Universidade Federal de Minas Gerais, a autora sempre enxergou suas histórias para além da palavra escrita.
Nos livros, os cenários eram construídos pela imaginação dos leitores. No cinema, cada espaço precisaria existir diante da câmera. Os personagens ganhariam rostos, vozes, gestos e uma presença que não poderia depender apenas da descrição literária.
Transformar Dark Wings em uma trilogia cinematográfica significava reconstruir aquele universo em outra linguagem.
Uma adaptação não consiste apenas em reproduzir todas as páginas de um livro. O cinema exige decisões sobre ritmo, duração, imagens, silêncios e movimentos. Pensamentos precisam se transformar em ações. Conflitos internos passam a ser revelados por expressões, escolhas e diálogos. Cenas que funcionam individualmente em uma obra literária precisam se conectar visualmente aos outros filmes.
O desafio se tornava ainda maior porque Dark Wings não era formado por três histórias independentes. Trevor, Scorn e Thomy & Milly compartilhavam personagens, acontecimentos e consequências. A adaptação precisava preservar essas ligações para que o público reconhecesse a existência de um único universo.
Trevor abre o caminho
Trevor tornou-se a primeira porta de entrada para a versão audiovisual de Dark Wings.
A história apresentou ao público o tom sombrio da saga e estabeleceu parte das relações que continuariam nos títulos seguintes. O personagem que um dia existira apenas em uma capa guardada entre os projetos de Jéssica finalmente ganhava corpo, voz e movimento.
O filme também representou um passo importante para a produção independente. Levar uma obra literária ao cinema exige muito mais do que adaptar um roteiro. É necessário reunir elenco, equipe técnica, locações, figurinos, maquiagem, equipamentos, edição e distribuição.
Cada escolha precisava considerar a identidade já estabelecida pelo livro e, ao mesmo tempo, permitir que o filme funcionasse para quem nunca tivesse lido a obra original.
Trevor abriu esse caminho e estabeleceu as primeiras referências visuais da trilogia.
Scorn amplia o lado sombrio da saga
Se Trevor apresentou o universo, Scorn aprofundou suas sombras.
A segunda parte da trilogia trouxe para o audiovisual a história criada por Mari Sales e ampliou as conexões que sustentavam a saga. O filme precisava manter a continuidade construída pelo primeiro título, mas também possuir personalidade própria.
Scorn expandiu os conflitos, apresentou novas perspectivas e mostrou que Dark Wings não dependia de apenas um protagonista. Cada personagem carregava uma parte essencial da narrativa, e somente a união dos três filmes permitiria compreender completamente aquele universo.
A passagem de Scorn para as telas também reforçou a origem colaborativa do projeto. Mesmo anos depois das primeiras conversas virtuais, a trilogia ainda dependia da mesma característica que havia possibilitado sua criação: a conexão entre histórias diferentes.

Thomy & Milly ocupa um lugar especial na trajetória de Dark Wings. O livro foi escrito conjuntamente por Jéssica Macedo e Mari Sales, encerrando a primeira experiência das autoras naquele universo. Sua adaptação cinematográfica também assumiu a responsabilidade de concluir a trilogia.
O terceiro filme reúne consequências iniciadas em Trevor e aprofundadas em Scorn. Ao mesmo tempo, apresenta o conflito particular de Thomy e Milly, personagens marcados por um amor que desafia os limites estabelecidos ao redor deles.
Para quem acompanhou a história desde os livros, o filme representa o fechamento de uma jornada iniciada durante a pandemia. Para quem conheceu Dark Wings diretamente pelo audiovisual, ele oferece a última peça de uma narrativa construída através de diferentes protagonistas.
A chegada de Thomy & Milly às telas encerra a trilogia, mas também revela a dimensão alcançada pelo projeto.
Uma história sobre colaboração e permanência
Dark Wings nasceu quando duas escritoras, impedidas pela distância e pelo isolamento de se encontrarem, decidiram criar juntas.
O convite de Mari Sales encontrou uma ideia que Jéssica Macedo ainda guardava. A capa de Trevor encontrou uma história. A história encontrou outro livro. Os dois livros abriram caminho para uma obra escrita a quatro mãos. Anos depois, os personagens deixaram as páginas e passaram a existir também no cinema.
A trajetória da trilogia demonstra como a produção independente pode atravessar formatos quando existe planejamento, persistência e colaboração. O que começou com mensagens trocadas durante a pandemia tornou-se um universo literário e, posteriormente, uma saga audiovisual completa.
Trevor, Scorn e Thomy & Milly preservam histórias próprias, mas carregam a mesma origem. Cada filme representa uma parte de um projeto que nunca foi construído isoladamente.
Antes das câmeras, dos cenários e das estreias, houve apenas uma pergunta:
— Vamos escrever um livro juntas?
A resposta atravessou os anos, rompeu os limites das páginas e chegou às telas.
Onde assistir à trilogia Dark Wings
Os três filmes que compõem a trilogia — Trevor, Scorn e Thomy & Milly — estão disponíveis no Portal Play.
Para compreender todas as conexões entre os personagens e acompanhar a evolução completa da saga, a ordem recomendada é:
Trevor
Scorn
Thomy & Milly
Entre no universo de Dark Wings e descubra como uma parceria literária iniciada durante a pandemia se transformou em uma trilogia cinematográfica independente.
